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Pipoqueiros destacou-se entre os ambulantes ao construir a marca Pipoca do Valdir, e hoje ensina pequenos e grandes empresários a inovar em suas atividades.

Treze anos de espera por uma concessão pública para ter o direito de vender pipoca, embalados por muita esperança e persistência, fizeram o pipoqueiro Valdir Novaki começar com muita segurança em seu novo ofício, perseguindo o objetivo de se tornar o melhor pipoqueiro do Brasil. E para se destacar no meio de 78 pipoqueiros que circulam pelo Centro de Curitiba, Valdir resolveu inovar e desmentir o conceito de que comida vendida na rua por ambulantes não tem qualidade. Hoje, com uma clientela fixa, a Pipoca do Valdir se tornou conhecida e apreciada. E Valdir é convidado para dar palestras de empreendedorismo, inovação e motivação para diferentes empresários.

Tudo começou quando Valdir foi trabalhar em uma banca de jornal que ficava na Praça Tiradentes, no Centro da capital do Paraná. Na atividade diária Valdir ficava observando os camelôs e ambulantes, percebendo que poderia aumentar seus ganhos muito mais se também tivesse o próprio negócio. Pensando assim, inscreveu-se na prefeitura de Curitiba, em 1992, solicitando uma concessão para atuar como pipoqueiro. A liberação do poder público só veio em agosto de 2006. A partir daí, Valdir só teve que aguardar mais 30 dias para o carrinho de pipocas ficar pronto, conforme o padrão especificado pela prefeitura. Nesse período, Valdir buscou conhecer o trabalho dos seus futuros concorrentes, desde o atendimento, qualidade dos produtos até a higiene. “Comprava pipoca e analisava a forma como a pessoa atendia, a manipulação dos alimentos, a vestimenta, higiene pessoal e do carrinho, e fiz o oposto deles para me destacar. Quis mudar o conceito de que um ambulante que trabalha na rua não tem qualidade”, afirma Valdir.

E ao longo de cinco anos atuando como pipoqueiro Valdir não só mudou o conceito como conseguiu construir a marca “Pipoca do Valdir” através de diversos diferenciais: ao comprar pipoca o cliente ganha um kit higiene com guardanapo, bala de menta e sachê personalizado com fio dental, cartão fidelidade com um pacote grátis a cada cinco compras, cartão de promoção no valor de R$ 25 com 12 vales-pipoca. Além disso, acrescenta Valdir, os produtos utilizados no preparo da pipoca são de excelente qualidade. Valdir e a esposa, que trabalha com ele, sempre estão uniformizados, e para garantir que os clientes percebam que o uniforme é trocado todo dia, um bordado na roupa indica os dias da semana. Mas, mesmo assim, com todos esses cuidados, o sucesso não aconteceria se o atendimento não fosse bom, pensa Valdir. “Independente do que a pessoa for comprar, ela gosta de ser bem atendida, por isso sempre recebemos os clientes com um sorriso”, conta.

Para melhorar ainda mais o negócio, Valdir se tornou um empreendedor individual em abril deste ano. A formalização trouxe para ele um CNPJ e, com isso, a possibilidade de contratar funcionário, comprar mercadorias em grande escala com prazo de pagamento mais longo e preço mais acessível e, também, a chance de pagar o INSS para uma futura aposentadoria. O caminho percorrido por Valdir até aqui foi árduo, mas ele acredita que o sucesso do negócio aconteceu porque faz realmente o que gosta. “Me sinto um vencedor, mas se eu não for trabalhar todos os dias, a fama de pipoqueiro não vai me trazer dinheiro.”

Cedo no batente
Entretanto, medo do trabalho é o que Valdir menos tem. Nascido no interior do Paraná, em São Mateus do Sul, Valdir Novaki era filho de uma família numerosa e trabalhava na roça desde cedo. Quando completou 18 anos foi para Curitiba e atuou como lavador e manobrista de carros. E no período longo em que esperou para começar a realizar seu sonho de ser pipoqueiro, fez diversos trabalhos para sobreviver. O ofício de pipoqueiro não diminuiu o ritmo de trabalho, pelo contrário, aumentou. “Muita gente pensa que ter um negócio próprio é fazer o próprio horário e ficar mais livre, mas é puro engano, pois a responsabilidade é bem maior”, relata Valdir. Com uma carga horária de 14 horas por dia, sua rotina começa às 6h30 com a higienização do carrinho, depois às 11h30 ele já está posicionado em uma esquina no Centro de Curitiba, ao lado da Catedral, onde o trabalho segue e só termina às 21h, quando ele chega em casa.

Valdir diz que todos têm um potencial para se desenvolver e, no caso dele, o atendimento especial aos clientes que vão comprar seu produto e o amor pela profissão são suas virtudes. Para ter sucesso nos projetos de vida, Valdir aconselha a não acreditar em pessoas pessimistas. “Não comentava nada com ninguém sobre meus projetos, para não ficar ouvindo pessoas pessimistas.”

E bem longe do pessimismo Valdir persegue o sonho de ser o melhor pipoqueiro do Brasil. Por suas inovações, ele é convidado a dar palestras sobre motivação para diversos empresários. “Nesses encontros conto como consegui buscar ideias para inovar, pois existem empresários com uma loja que não sabem como fazer para melhorar o negócio e eu com um carrinho de pipoca consegui fazer meu trabalho evoluir”, diz. Agora os planos para o futuro desse empreendedor estão focados em franquear a marca Pipoca do Valdir. Mas isso é mais para o futuro mesmo, pois o pipoqueiro revela que ainda está em lua-de-mel com o seu carrinho de pipoca.

Valdir Novaki
Idade: 37 anos
Data de formalização: Abril de 2011
Ramo: Pipoqueiro
Conta com funcionário? Não
Pretende virar microempresa? Sim

Por: Raquel Rezende

Saiba mais: Palestra Os 10 estouros da Pipoca do Valdir

Conectar empreendedores, investidores e consultores. Essa é a proposta da Socioteca, rede social de negócios criada pelos empresários alagoanos Victor Yves e Felipe Reis. Lançada em maio de 2011, a versão beta da rede já conta com mais de 2.000 usuários cadastrados, que vêm utilizando o serviço como uma ferramenta alternativa para aumentar seu networking e, como diz o próprio nome do projeto, encontrar sócios em potencial.

A ideia de criar uma plataforma que conseguisse digitalizar e acelerar as conexões entre novos empreendedores surgiu no ano passado, quando Yves começou a identificar a dificuldade de encontrar parceiros relevantes. “Minha mãe queria abrir um negócio em Maceió, mas era nova na cidade. Ela tinha capital para investir, mas sua rede de contatos era muito restrita. Nessa mesma época, comecei a conversar com o Felipe, que estava morando em São Paulo e sentia a mesma dificuldade.”

Com a sociedade estabelecida e um investimento inicial relativamente baixo – R$ 30 mil – Victor e Felipe iniciaram o desenvolvimento da Socioteca no final de 2010, finalizando a primeira versão do site em cinco meses. “Antes de lançar a Socioteca oficialmente, precisávamos de uma confirmação real de que o serviço funcionava. Quando recebemos os primeiros feedbacks de usuários contando que haviam encontrado sócios e parceiros para o seu negócio, resolvemos apresentar o produto oficialmente ao mercado”, afirma.

Cruzamento de dados
Assim como os populares sites de relacionamentos amorosos, a mecânica da Socioteca é baseada no cruzamento de dados de seus usuários. Antes de ingressar na rede, cada membro da comunidade precisa preencher um extenso formulário, que, no caso de empreendedores, inclui detalhes de seus planos de negócios. Com base nessas informações, a rede passa a sugerir nomes de parceiros e consultores. Além disso, mediante a autorização do usuário, outras pessoas podem ter acesso ao plano de negócios de forma mais genérica, permitindo que elas comentem e deixem sugestões sobre o material apresentado.

O modelo de negócios do site é baseado em duas frentes distintas de receita. A primeira delas contempla planos premium de assinaturas para empreendedores em procura de mais visibilidade para seus perfis. Os fundadores também apostam na receita gerada por anúncios de franquias e de consultorias que farão da plataforma um e-commerce social de serviços relacionados ao empreendedorismo. Para ganhar escala, os sócios vêm focando em um planejamento de marketing e parcerias institucionais, por meio dos quais esperam atingir pelo menos 80 mil usuários até o final de 2012.

Fonte: Portal PEGN

Os móveis criados pela empresa britânica de design re-work caem como uma luva para os que adoram café e são ecologicamente corretos. .moveiscafeBatizado de Curface, o material é feito a base de pó de café usado e plástico reciclado.

A informação é do blog Dear Coffe, I love you (que, aliás, é uma boa dica para os amantes da bebida). A combinação do Curface com madeira reaproveitada dá origem a esses simpáticos móveis da foto, e o material ainda é a prova d’água e não precisa de acabamento.

O projeto mais recente da empresa foi o Google Coffe Lab, um café que fica na sede do Google em Londres. O projeto contou com uma longa mesa feita de Curface e a parte exterior de uma das máquinas de café também recoberta pelo material.

Apesar do sucesso do Curface, no ano passado a empresa colocou uma mensagem em seu site, avisando sobre a interrupção da produção dos materiais feitos com café, e avisando que os móveis devem voltar a ser fabricados agora, no começo de 2012.

Tomara que a empresa volte a fabricar mesmo. Além de ecologicamente corretos, achei os móveis bonitos e fiquei me perguntando se eles ficam com cheirinho de café. Já imaginou, que maravilha, sua sala com uma mesa que exala aroma de café?

Fonte: Revisa Época

gvinte

Dia 1º de dezembro as portas se abriram para as inscrições no Desafio G20 de Inovação em Negócios Inclusivos. O Desafio não oferece prêmios em dinheiro aos vencedores; seu valore está em abrir as portas de oportunidades para negócios com modelos de atuação com foco na Base da Pirâmide (BdP).

Para mais detalhes sobre o Desafio, recentemente conversei com Andria Thomas, gerente de projetos na Dalberg no escritório de Washington, D.C. e membro da Strategy&Performance Practice. Ela é consultora em diversas fundações, ONGs, corporações, organizações multilaterais e agências governamentais em áreas de estratégia, inovação, planos de negócios e mudança organizacional, e está ajudando a coordenar o Desafio G20.

NextBillion (NB): Como você sabe, existem muitas competições de modelos de negócios e planos de negócios no âmbito social; como o Desafio G20 de Inovação em Negócios Inclusivos destingue-se em meio aos outros?

Andria Thomas (AT): O que separa o Desafio G20 de Inovação em Negócios Inclusivos dos outros que existem é que este é focado em modelos provados que já tenham posto suas idéias em prática por anos e já tenham criado resultados de desenvolvimento. A maioria das competições que nós revisamos procura por novas ideias. O Desafio G20 de Inovação em Negócios Inclusivos é diferente de duas maneiras: 1) por segmentar os negócios inclusivos em vez de organizações sem fins lucrativos ou negócios não relacionados ao desenvolvimento, e 2) por procurar negócios que tenham provado seus modelos em vez de aqueles em estágios iniciais ou de start-up.

NB: Quais tipos de companhias são mais prováveis que obtenham sucesso nesta competição?

AT: Companhias de sucesso precisarão mostrar que são financeiramente sustentáveis e acima dos riscos sociais e ambientais aos quais estão suscetíveis. Mas o que realmente definirá os ganhadores serão três fatores: como seu modelo está integrando a BdP em sua cadeia de valor, os resultados de desenvolvimento que estão alcançando, e o maior de todos: o potencial para o modelo ser escalado e replicado. Os modelos vencedores terão potencial para serem bem sucedidos em outros mercados ou outros setores – o objetivo é crescer o número de negócios inclusivos ao redor do mundo.

Além disso, não são apenas os vencedores podem ser bem sucedidos neste Desafio. Todos os inscritos terão acesso a uma seção exclusiva aos inscritos no site do Desafio, G20Challenge.com, onde eles poderão fazer conexões que não seriam possíveis off-line, geograficamente falando. Posso imaginar algumas colaborações resultantes sendo muito bem sucedidas mesmo para as companhias que não ganharem o reconhecimento do G20. As companhias que tirarem maior proveito deste acesso serão aquelas mais ansiosas a engajarem-se junto aos seus pares e verdadeiramente desenvolverem uma comunidade dos negócios inclusivos.

NB: O site menciona que os ganhadores serão selecionados através de critérios baseados em inovação, resultados de desenvolvimento, sustentabilidade financeira, potencial para crescimento/replicação, etc. Estou curioso para saber se algum dado de avaliação de impacto vindo de fora, mostrando a efetividade do modelo de uma companhia em particular, é requerido ou mesmo encorajado?

AT: Dado de avaliação de impacto vindo de fora com certeza é encorajado, mas nós entendemos que talvez não seja possível para todos os negócios que gostariam de se inscrever, portanto, não é requerido. Os negócios que tiverem dados de avaliação de impacto podem usa-los e citar a informação durante a inscrição, quando for responder as questões sobre impacto e alcance na BdP. Outros podem disponibilizar sua própria métrica; o Desafio requere sim que os negócios disponibilizem alguma evidência do acompanhamento de seus resultados no desenvolvimento ao longo do tempo, seja a informação gerada internamente ou por terceiros.

NB: Existem realmente dois aspectos chave para o Desafio: o processo de submeter a inscrição e os prêmios, claro; mas então os vencedores serão reunidos em uma série de workshops regionais. Como estes workshops funcionarão e qual o objetivo?

AT: O primeiro nesta série de workshops serão sediados em Frankfurt após o G20 Summit, em junho de 2012, onde os vencedores do Desafio serão anunciados. O objetivo desta série de workshops é que os vencedores possam se reunir para discutirem seus desafios na expansão e replicação dos negócios em novos mercados. Investidores serão um dos muitos grupos convidados aos workshops, então eles poderão ser parte de uma rede de solução de problemas. Com tantos líderes reunidos abordando o mesmo tema, os workshops será um fórum efetivo na construção de relacionamentos nos negócios inclusivos e colaborando nos problemas em comum encontrados pelos negócios quando integrando a BdP em sua cadeia de valor. IFC, que está gerenciando o Desafio G20, tem tido sucesso similar com seu anual Inclusive Business Leader Forum, em Washington, DC, onde conexões B2B (business to business) foram criadas.

NB: Quem são os jurados para esta competição, qual o histórico deles?

AT: O painel de jurados incluirá representantes do setor privado, academia, organizações internacionais e o G20. Seleções finais para painel de jurados ainda estão sendo feitas até o final deste mês, mas eles tem históricos na intersecção entre negócios e desenvolvimento.

NB: Quanto os vencedores receberão em prêmios em dinheiro e esses fundos serão alocados com um propósito específico em mente, em termos de expansão de operações?

AT: O prêmio do Desafio não é monetário – o prêmio é acessar novas parcerias e entrar em comunidades de negócios globais. Vencedores receberão algo que o dinheiro não pode comprar: reconhecimento do grupo do G20, o primeiro fórum para desenvolvimento da economia internacional; um destaque no próximo G20 Summit no México, em junho; e acesso a uma rede de fellows vencedores em workshops organizados e com o suporte do G20.

NB: Como, se for o caso, o Desafio G20 de Inovação em Negócios Inclusivos difere da competição G20 SME Finance Challenge?

AT: O Desafio G20 de Inovação em Negócios Inclusivos é o primeiro deste tipo, uma competição separada da competição G20 SME Finance Challenge que aconteceu ano passado. Uma diferença chave é o setor de onde vem os participantes: os inscritos para a SME Finance Challenge do ano passado eram em sua maioria de instituições financeiras privadas, investidores socialmente responsáveis, fundações e organizações da sociedade civil. Para o Desafio G20 de Inovação em Negócios Inclusivos o foco está em negócios no “setor real” que trabalha com pessoas na BdP como fornecedores, distribuidores, varejistas e consumidores. Por exemplo, pode incluir agronegócios, companhias educacionais, provedores de saúde e mais. Independentemente do setor, todos os inscritos terão provado seus modelos de negócios, como sendo sustentáveis financeiramente ao mesmo tempo em que criando resultados de desenvolvimento através de seu envolvimento com as pessoas da BdP.

A segunda diferença é que os vencedores do Desafio G20 de Inovação em Negócios Inclusivos receberão reconhecimento global e acesso a uma rede de fellows vencedores nos workshops do G20 que seguirão o G20 Summit no México, em junho de 2012. Ao contrário do SME Finance Challenge, o foco não está em receber prêmios financeiros.

NB: As inscrições começaram dia 1º de dezembro. Você pode prover uma visão geral do processo de competição de agora em diante?

AT: O primeiro passo para inscrever-se, não importando quando você comece, é submeter um formulário de pré-inscrição, compartilhando algumas informações preliminares e verificando que seu negócio é elegível. Se a elegibilidade for confirmada, você receberá acesso à inscrição total, que poderá ser submetida a qualquer momento antes do dia 20 de fevereiro de 2012 às 11:59PM EST.

As inscrições serão avaliadas durante os meses de março, abril e maio, e então os vencedores poderão ser anunciados em junho de 2012, durante o G20 Leaders Summit, no México. Este encontro representará a oportunidade para cada negócio vencedor de ser reconhecido antes de uma audiência global.

Nota da Editora: Scott Anderson é editor do NextBillion.net e realizou esta entrevista para que as informações pudessem ser divulgadas na Rede de sites NextBillion.

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As competências empreendedoras não são inatas, podem ser desenvolvidas ao longo da nossa vida. Porém, embora algumas dessas competências possam ser aprendidas em cursos e experiências, outras são tipicamente formadas na infância. Não estou falando aqui da clássica imagem da criança que ganha uns trocados vendendo limonada na porta de casa, um ícone tipicamente americano.

A maioria das características empreendedoras não diz respeito a negócios e sim a comportamentos típicos de quem detém este perfil, e as escolas não estão preparadas para desenvolvê-las. A seguir, dou algumas dicas de como despertar o lado empreendedor nas suas crianças, sejam filhos, alunos, sobrinhos ou netos, por meio de atividades simples, criativas, diferentes e que podem ser envolventes e ricas:

- Para despertar o interesse pela novidade: Vá com as crianças a um supermercado e diga que eles podem experimentar qualquer coisa que nunca tinham provado antes. Cada um pode trazer uma coisa diferente para colocar no carrinho. Eles se divertem pelas gôndolas e trazem guloseimas com novos sabores. Nesta fase eles tomam gosto pela experimentação. O preço deste aprendizado é que eles vão experimentar algumas coisas e não vão gostar, levando a um desperdício de dinheiro, pois jogam tudo fora. Depois que eles gostarem da brincadeira é a vez de colocar uma regra a mais. Agora eles não podem mais jogar fora o que compraram. Se não gostaram, têm de comer até o fim ou a brincadeira para. Eles até reclamam na hora de engolir, mas não querem parar de brincar, já virou um passatempo que quebra a chatice de ir ao supermercado. Assim, aprendem a ser mais criteriosos na hora da escolha. Leem o rótulo, pensam e aprendem a usar a informação para reduzir o risco da escolha errada, e assim acabam criando o hábito de experimentar o diferente. Mas, lembre-se, você não pode começar a brincadeira já colocando a penalidade ou eles não entram no jogo. Primeiro eles têm que gostar da brincadeira.

- Para identificar oportunidades: A melhor forma de aprender a identificar oportunidades é prestando atenção às coisas ao seu redor. Boas oportunidades estão em todo lugar e acontecem a qualquer momento. A maioria não percebe porque não está atenta. Para ajudar as crianças a ficarem mais atentas a brincadeira consiste em fazer perguntas sobre percepção do ambiente. Ótimo para passar o tempo em locais públicos como restaurantes ou filas de espera. Encontre um detalhe do ambiente e desafie-os a encontrar, coisas simples do tipo ‘onde tem uma vela’, ‘onde está escrito ‘fumar’’ ou ‘encontre uma criança com cabelos encaracolados’. Com o tempo, eles se acostumam a entrar em qualquer ambiente e logo prestar atenção em todos os detalhes. Uma variável desta brincadeira, em ambientes que eles já conhecem bem como a sua casa, é separá-los, mudar algum detalhe de lugar e chamá-los de volta, desafiando-os a descobrir o que você mudou.

- Para avaliar riscos: Pais são normalmente avessos à exposição dos filhos a qualquer tipo de risco. Professores e babás são menos tolerantes ainda, pois são responsáveis pela segurança das crianças. Isso faz com que involuntariamente criemos nossas crianças em ‘bolhas de segurança’ que não permitem que elas vivam algumas experiências enriquecedoras. Correr um risco, desde que moderado, avaliado e controlado, sempre traz um aprendizado. O importante aqui é que os pais se perguntem: ‘Se algo der errado, o aprendizado decorrente do erro vai compensar o prejuízo?’ Em muitas situações você pode expô-los a um risco no qual eles sentem a adrenalina, mas você tem o controle. Uma vez, levando eles para a escola, eu falei que iria dirigir seguindo as orientações deles. Eles é que iriam dizer em qual rua virar e qual caminho seguir para chegar à escola. No começo eles adoraram ter o controle da situação, mas acabamos nos perdendo e eles ficaram muito nervosos. Claro que eu sabia o caminho certo e acabei chegando a tempo na escola, mas eles nunca se esqueceram da experiência. Tentamos mais três vezes depois, mas só na quarta eles acertaram o caminho. E celebraram muito!

- Para quebrar regras: Esta é a mais difícil e não pode ser aplicada em qualquer idade. No começo eles precisam entender por que existem regras e como elas nos ajudam a viver de forma civilizada e ordenada. Porém, depois que isso é assimilado, eles precisam entender que existe um mundo fora do quadrado e que nem todas as regras fazem sentido ou são necessárias. O importante é não desrespeitar as leis ou os princípios éticos. Fora isso, se algo não faz sentido, pode e deve ser questionado. Na fase da adolescência se pode dar vazão ao espírito rebelde que se instala entre eles, dando foco e atenção aos seus questionamentos. Uma brincadeira que faço com eles é, durante uma conversa sobre um determinado assunto de interesse deles, antecipar que vou falar uma grande besteira, mas eles não vão saber qual nem quando vou falar. Continuamos a conversa e, no final, eu pergunto qual foi a grande besteira que eu falei. Eles devem adivinhar e geralmente acertam. Com o tempo eu começo a praticar isso sem avisar antes e só falo depois que eu falei uma besteira. Se eles aprenderam a prestar atenção, vão identificar logo. Com isso vão alimentando o seu espírito crítico, não aceitando mais passivamente tudo o que ouvem ou leem. Hoje, mesmo que eu não fale nenhuma besteira, eles duvidam de algumas coisas que falo, e até conseguem me provar que eu falei uma coisa errada mesmo! Este é o lado ruim da história. Ruim para nós, mas ótimo para a vida deles.

- Para ser criativo: Criatividade é o alimento da inovação. Somos tão condicionados a buscar a concordância e a aceitação pública que acabamos nos esquecendo do que nos torna diferentes e únicos. Todos querem ser iguais e os diferentes são discriminados por não se encaixarem nos padrões de ‘conformidade’ impostos pela sociedade. Existem várias brincadeiras para estimular a criatividade e elas são mais efetivas quanto mais jovens forem as crianças, pois menos amarras possuem ainda. Uma que gostava de fazer quando eles eram pequenos era o passatempo preferido nas viagens de carro. Um de nós conta uma história e, no meio dela, interrompemos para que o outro continue e dê um novo rumo. Assim, vamos nos alternando, passando de uma para outra, até que alguém a termine e é claro que ela termina totalmente diferente de como foi iniciada. Outra coisa que eles se divertiam era pegar histórias conhecidas e invertê-las totalmente, dando novas características aos personagens, mudando o roteiro ou imaginando novos finais inusitados e divertidos.

- Para exercitar a autonomia: Muitas vezes achamos que nossos filhos não estão maduros o suficiente para assumir algumas responsabilidades. Puro preconceito nosso, eles são mais espertos do que imaginamos. Assumir a responsabilidade de alguma coisa é importantíssimo para a formação deles. O exemplo clássico é ter um animal de estimação. O bichinho vai morrer se ele não cuidar, mas a responsabilidade acaba sendo tão grande que, no final das contas, nós é que acabamos alimentando e cuidando. Entre uns 10 e 12 anos, uma brincadeira simples é dar a eles a liberdade de programarem o que fazer em família no domingo. A liberdade é total e os pais vão cumprir tudo o que eles definirem. Eles ficam muito entusiasmados e no começo acabam se excedendo, ou com muitas atividades, ou com coisas que nem todos vão curtir. Com o tempo, eles vão aprendendo a escolher melhor as atividades, a se planejar para tudo dar certo, a ouvir o que as pessoas querem e a arcar com as conseqüências quando não acontece o que eles previram. O exercício da liberdade é uma droga viciante, e, uma vez experimentada, não se pode mais viver sem ela. Por isso, o aprendizado seguinte é exercer a liberdade, mas com responsabilidade.

- Para ter iniciativa: As crianças têm iniciativas natural e espontaneamente. Tudo o que precisamos fazer é apoiá-las e incentivá-las. Podem ser coisas simples, como começar um blog ou receber os amigos para assistir um filme. Podem ser coisas maiores, como organizar um mutirão de ação social ou montar uma banda. O importante é sempre dar o primeiro passo, pois a empolgação cresce na mesma medida que o envolvimento na atividade. Não critique e nem reprima, pelo menos no começo. Se algo pode dar errado, alerte, aconselhe, mas não insista. Se for alguma coisa que não vá gerar muito impacto e pode ser contornado, deixe acontecer e dar errado, até estas experiências são válidas e úteis para o aprendizado. Pesquisas indicam que os pais exercem grande influência na formação de algumas características empreendedoras. Um vídeo que retrata bem isso é vendido pela Siamar e se chama ‘Lemonade Stories’. Produzido pelo Babson College, conta a história de 7 empreendedores como Richard Branson (Grupo Virgin) e Arthur Blank (Home Depot) e como suas mães os influenciaram.

Como podem ver, há várias coisas que podemos fazer com as crianças. Algumas podem dar trabalho, mas é recompensador ver os resultados, ver como eles crescem espertos, ativos, maduros. Sempre que possível, tente dar um aspecto lúdico à atividade, uma brincadeira, um jogo, um desafio. Vai ser mais divertido e eles se envolvem mais. Tome um cuidado especial em não forçar a barra. Apesar de alguns aprendizados requererem um esforço não natural, somos diferentes uns dos outros. Se uma pessoa é naturalmente tímida e introvertida, não a force a se expor em público, o tiro pode sair pela culatra. Alguns comportamentos são condicionados e podem ser modificados, mas traços de personalidade não.

Eu mesmo procuro praticar isso o tempo todo com meus três filhos. Não sei se eles vão montar seu próprio negócio no futuro, mas tenho certeza de que estarão mais bem preparados para enfrentar o mundo do que muito de seus amiguinhos.

Fonte: Marcos Hashimoto / epocanegocios.globo.com

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