Será possível ganhar dinheiro e, ao mesmo tempo, solucionar um problema da sociedade informatizada? Empresas têm investido num setor ainda pouco rentável, mas com grande potencial: a reciclagem do lixo eletrônico. O descarte de computadores, impressoras, celulares ou microondas, porém, ainda é um desafio. Uma pesquisa divulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU) colocou o Brasil no topo da produção desses resíduos entre os países emergentes, que incluem China, Índia e México. Os dados assustam. Cada brasileiro produz, em média, meio quilo de lixo eletrônico por ano.
Sem uma lei que obrigue fabricantes a darem um destino correto a seus produtos e com pouca informação aos consumidores, eletroeletrônicos se acumulam nas casas ou em aterros sanitários, quando poderiam estar gerando emprego e lucros.
De um lado, a coleta seletiva tradicional não pode absorver os eletrônicos, pois eles têm componentes tóxicos que contaminam o solo e os lençóis freáticos. Os catadores, de outro, não conseguem vendê-los a grandes usinas de reciclagem. A solução passa por empresas e estações de reciclagem específicas para equipamentos que contêm chumbo, mercúrio e fósforo. O processo não é simples nem barato, mas existe.
A pergunta é: você pagaria para descartar seu computador antigo da forma correta?
Nova no mercado, a Descarte Certo é especializada em recolher na casa dos consumidores o eletrônico fora de uso e encaminhá-lo para empresas de reciclagem certificadas. Um computador, por exemplo, consegue ter 70% de sua composição transformada em matéria-prima para indústrias de vários setores. Para levá-lo, a Descarte Certo cobra R$ 145.
A empresa é parceira da rede Carrefour no Estado de São Paulo. Lá, o consumidor pode comprar créditos de descarte de lixo eletrônico.
“É preciso desenvolver a cultura do descarte correto dos equipamentos antigos. E esse descarte tem custos”, diz Ernesto Watanabe, diretor geral da empresa que atua desde outubro do ano passado.
Mesmo assim, Watanabe afirma que a atividade ainda não é lucrativa.
Simone Terra Marczuk, da Peacock, única empresa com licença para encaminhar e-lixo para reciclagem em Porto Alegre, concorda e aponta uma solução:
“É preciso uma lei que regulamente o destino dos eletroeletrônicos”, diz.
Fonte: Zero Hora
Ver também:
Lixo eletrônico: um problema a ser encarado
O negócio e o processo de reciclagem de eletrônicos
ONU: Brasil é emergente que mais produz lixo eletrônico
USP cria centro para reciclar lixo eletrônico
Grande Florianópolis dará o destino correto ao lixo eletrônico
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Acho que ao comprar um aparelho eletrônico a pessoa poderia obter algum desconto, por menor que fosse, entregando algum eletrônico antigo ao lojista no momento da compra.
Por exemplo, quem comprasse um celular novo, ganharia 5% de desconto dando o celular antigo e assim por diante.
Dessa forma as pessoas fariam questão de entregar sempre os aparelhos sem utilzação e os lojistas poderiam encaminhá-los para a reciclagem.